04/11/2019
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Espiritualidade, arte, política: estamos todos misturados

com 

Miguel Leal

Defendendo um projeto de “indigenização da vida”, o artista Ernesto Neto cria através das suas obras grandes ambientes multissensoriais que transformam o sentido público da arte, onde o espectador é convidado a participar ativamente em espaços de harmonia, abertos à espiritualidade e que se fundem com a expressão da Natureza. Esse é também um gesto político, que rejeita o regime artístico ocidental, dominado pelo dinheiro – nas suas palavras, “a arte é sempre espiritual e política (...), ela orienta e reflete nosso movimento sobre a terra. O ser espiritual é aquele que cuida de si, o político aquele que cuida de nós, entre eles a arte canta, dança, brinca, reza age.”

Nesta conversa moderada por Miguel Leal, artista visual e professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Ernesto Neto falará sobre como tudo isto está ligado. A sua prática artística encontra na cosmologia dos povos indígenas as respostas aos problemas ambientais, económicos e espirituais que ameaçam o presente e o futuro. Ernesto Neto garante que é urgente que nós, “filhxs da terra, dos rios, das plantas, maçãs, serpentes, nuvens”, cuidemos da saúde do nosso planeta: “não se virem de costas para a vida da da da dada, vivi có có có, se quer o ovo cuide da galinha, faça carinho nela, acalente seu nosso coração, política é espiritual, política quer luz, ouro não cura, é só o sol que ilumina, e canta e dança, e puxa água e bebe luz, transpira, transpirarte, e o vento fala, fuuuuu fuuuuu e a água sonha xiiiiiii gló gló gló”.