09/11/2019
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Manifesto pelo direito de acesso às coleções coloniais sequestradas na Europa Ocidental

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Nélia Dias

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Nuno Faria

A história dos museus europeus está marcada pelo imperialismo e por genealogias científicas e coloniais herdadas do séc. XIX. Como poderemos reinventar o museu e as suas coleções, de forma a caminhar no sentido de caminhar para um modelo ecológico e emancipatório de reparação? O que deve o museu evocar e proporcionar aos cidadãos?

A curadora, editora e historiadora cultural Clémentine Deliss é uma das figuras mais proeminentes no combate ao legado eurocêntrico na história da arte e nos museus de arte que a moldam e ensinam. Partindo do seu manifesto, e numa conversa com a antropóloga e investigadora do ISCTE-IUL Nélia Dias, e com o diretor do Museu da Cidade Nuno Faria, Deliss apresentará um modelo de instituição futura em que um fluxo generativo de indagação de nível universitário é construído no interior de um museu. Sob o imperativo de descolonização, o museu-universidade questiona as ideologias dominantes da conservação, abrindo as coleções, as suas histórias e as suas reclamações a várias operações de reparação. Edificando-se sobre as coleções não monetizadas e muitas vezes contestadas do passado, formula novas alianças transculturais e metodológicas. Transformar um museu numa universidade é o primeiro passo na construção de um museu dos comuns e na reavaliação equitativa de coleções etnocoloniais. Um lugar como esse, sem pontos de vista privilegiados, ou tentativas de direcionar a mente para os limites de disciplina dominante, seria um campo fértil, uma extensão agricultável onde cada visitante poderia cultivar significados modestos a partir de obras não-determinadas, lentamente apreendendo o metabolismo do museu como um corpo.