Domingo
03
Novembro
17:00
Rivoli – Grande Auditório
Crossings / Travessias

Moderação   -  

Joana Gorjão Henriques

A sessão de abertura do Fórum do Futuro apresenta uma das mais conceituadas escritoras da atualidade – Chimamanda Ngozi Adichie tem obras traduzidas em mais de trinta línguas e foi considerada pela revista Time uma das “100 Pessoas Mais Influentes do Mundo”. Conhecida pela coragem, originalidade e assertividade com que aborda nas suas obras temas como a negritude e o feminismo, a autora falará sobre a forma como o racismo ainda hoje opera a partir de um discurso único, latente e perigoso. Quais as implicações sociais da sua inevitável interiorização?


A autora afirma que só se começou a sentir negra quando emigrou da Nigéria para os Estados Unidos com 19 anos e foi confrontada com a perceção americana relativamente a África – uma visão linear e paternalista de catástrofe, pobreza e ignorância –, que a levou inicialmente a rejeitar a ideia de se identificar como negra. Nesta conversa moderada por Joana Gorjão Henriques, reputada jornalista e autora de livros centrados em questões relacionadas com racismo e direitos humanos, Chimamanda Ngozi Adichie falará sobre o longo processo de redescoberta da sua identidade e cultura, e da importância das obras literárias de autores negros americanos e africanos para entender as raízes dos estereótipos racistas na América. Defendendo a importância fulcral da existência de múltiplas narrativas, a autora considera que o ato de escrever deve sempre ter uma função social – as histórias podem quebrar a dignidade de um povo, mas também têm o poder de reparar a dignidade quebrada.


Tradução Simultânea

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19:30
Palácio dos Correios
RANT

RANT é uma performance multidisciplinar que resulta de uma colaboração entre Ralph Lemon, aclamado coreógrafo e artista, e Kevin Beasley, considerado um dos artistas mais excitantes na nova cena de arte contemporânea norte-americana. Foi a partir do encontro performativo deste ano no âmbito da exposição de Beasley no Whitney Museum, Kevin Beasley: A view of a landscape, que os dois artistas foram convidados pelos curadores do Fórum do Futuro para desenvolverem um novo projeto, criado especificamente para este contexto e para o espaço brutalista do Palácio dos Correios.

Aqui, a performance incide sobre conceitos transversais a esta edição, tais como extração, alteridade e política do corpo. RANT será uma experiência cultural de som, movimento e corpo, crua e efémera, de indagação do passado, do presente e que, mais especificamente, explora “a essência do corpo negro (castanho) americano, a sua evolução geracional (destroços), ativação histórica e bagagem (debate) e a evolução possível no futuro”.


Performers: SAMITA SINHA, DWAYNE BROWN, MARIAMA NOGUERA-DEVERS, STANLEY GAMBUCCI, DARRELL JONES










Segunda-Feira
04
Novembro
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Espiritualidade, arte, política: estamos todos misturados

Moderação   -  

Miguel Leal

Defendendo um projeto de “indigenização da vida”, o artista Ernesto Neto cria através das suas obras grandes ambientes multissensoriais que transformam o sentido público da arte, onde o espectador é convidado a participar ativamente em espaços de harmonia, abertos à espiritualidade e que se fundem com a expressão da Natureza. Esse é também um gesto político, que rejeita o regime artístico ocidental, dominado pelo dinheiro – nas suas palavras, “a arte é sempre espiritual e política (...), ela orienta e reflete nosso movimento sobre a terra. O ser espiritual é aquele que cuida de si, o político aquele que cuida de nós, entre eles a arte canta, dança, brinca, reza age.”

Nesta conversa moderada por Miguel Leal, artista visual e professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, Ernesto Neto falará sobre como tudo isto está ligado. A sua prática artística encontra na cosmologia dos povos indígenas as respostas aos problemas ambientais, económicos e espirituais que ameaçam o presente e o futuro. Ernesto Neto garante que é urgente que nós, “filhxs da terra, dos rios, das plantas, maçãs, serpentes, nuvens”, cuidemos da saúde do nosso planeta: “não se virem de costas para a vida da da da dada, vivi có có có, se quer o ovo cuide da galinha, faça carinho nela, acalente seu nosso coração, política é espiritual, política quer luz, ouro não cura, é só o sol que ilumina, e canta e dança, e puxa água e bebe luz, transpira, transpirarte, e o vento fala, fuuuuu fuuuuu e a água sonha xiiiiiii gló gló gló”.

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19:00
Galeria Municipal do Porto
Calixto Neto
Performance
OH!RAGE

Num cruzamento da programação do Fórum do Futuro com a exposição da Galeria Municipal do Porto Estar vivo é o contrário de estar morto, comissariada por Guilherme Blanc e Luísa Saraiva, Calixto Neto apresenta a performance oh!rage, uma tempestade (em francês, orage) de imagens, referências e estados que pretendem dar um corpo à raiva.


A prática artística do performer e coreógrafo brasileiro incide sobre danças periféricas, invisibilidade das minorias e representação do corpo negro, juntando elementos do afropunk e do afrofuturismo com estudos pós-coloniais e discursos de emancipação. Em oh!rage descobrimos um corpo diaspórico que reclama uma dança em estado de celebração, movendo as ancas, saltando, batendo no chão, possuidor de um poder de comunicação de dimensão impalpável, ritual, ancestral. Passando pelas sombras, pela extravagância e pela preguiça, a performance dança e navega entre o lamento, a revolta, o protesto e a celebração. Tomando o corpo negro e a sua experiência no mundo (assim como no mundo da arte) como detonador de perguntas e propostas, Calixto Neto dança para falhar, e triunfar, na resposta à questão: o corpo subalterno pode enfim dançar?

COREOGRAFIA E INTERPRETAÇÃO Calixto Neto
DESENHO DE LUZ Eduardo Abdala
CRIAÇÃO DE SOM Charlotte Boisselier
OPERAÇÃO DE SOM Fábio Ferreira
VISÕES EXTERIORES Carolina Campos, Isabela Fernandes Santana, Marcelo Sena
PARCERIAS Produção executiva Météores; Coprodução CND Centre national de la danse, La Place de la Danse – CDCN Toulouse/Occitanie; Com o apoio de DRAC Île de France


21:00
Rivoli – Grande Auditório
A Luta Pelo Território e a Destruição da Amazónia

Moderação   -  

Rita Natálio

Assistimos atualmente a um dos períodos mais preocupantes da história do Brasil, com a morte do líder indígena Emyra Wajãpi, a deflorestação a um ritmo alucinante e os devastadores incêndios na Amazónia. Bolsonaro parece ter nas mãos o destino da maior floresta tropical do mundo, e com ele os povos indígenas estão de novo a ser expulsos das suas terras. Ser indígena hoje é sinónimo de resistência. Como continuar a resistir?

O Fórum do Futuro junta nesta conversa duas enormes figuras da luta pelos direitos indígenas e da proteção da floresta da Amazónia: Sônia Guajajara, uma das mais proeminentes líderes indígenas e ativistas ambientais atuais – membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU e a primeira mulher indígena a integrar uma lista candidata às eleições presidenciais no Brasil – e o artista Ernesto Neto, que se tem vindo a focar na importância de um projeto de indigenização. Em conjunto, irão debater, nesta conversa moderada pela artista e investigadora Rita Natálio, como é essencial que a voz dos povos indígenas seja ouvida e ativa nos modelos de governação. A terra é o espírito e o corpo do indígena – este possui o conhecimento necessário para curar a floresta e lutar por um planeta saudável. Um sinal de esperança é o facto de o movimento de mulheres indígenas ter vindo a crescer exponencialmente na última década – Joênia Wapichan foi a primeira mulher indígena a ser eleita deputada federal, e Nara Baré foi a primeira mulher a ser eleita Coordenadora da COIAB (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia).

Terça-Feira
05
Novembro
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Keep calm e aprende Bengali

Moderação   -  

Shumon Basar

A assunção europeia e americana de prerrogativa e soberania sobre a história gira em torno da ideia de que as suas narrativas são as únicas que contam. O artista e ensaísta Naeem Mohaiemen nasceu em Londres, filho de pais bengalis, e cresceu no então recém-independente Bangladesh. Na sua prática artística – que envolve ensaios, instalações, filmes de ficção e documentários – o que o move é exatamente refazer histórias, abordando frequentemente narrativas periféricas, utopias socialistas falhadas e processos de descolonização.


Naeem Mohaiemen, nomeado em 2018 para o Turner Prize, contará nesta artist talk moderada pelo escritor, pensador e crítico cultural Shumon Basar, como cresceu, tal como qualquer criança no Bangladesh, a aprender bengali por herança e por dever, enquanto o inglês era contrabando e escape. Ao longo deste percurso o inglês tornou-se no modo de acesso a uma ideia tortuosa de modernidade. No seu trabalho existe uma constante relação, particularmente complexa, entre antropologia, história e imagem em movimento. Os seus filmes são em inglês, mas há quem critique essa opção por achar que ela significa uma aceitação das condições que o capital impõe à circulação da cultura: acima de tudo, eficiência. O inglês alicerça os fluxos da cultura, misturado com o triunfalismo do capitalismo como cultura mundial. Do outro lado, a aceitação: cidades e pessoas, sedentas de absorver essa cultura. O artista afirma: “Pensamos em nós próprios como parte de um “nós”, porque o projeto do século passado foi a monocultura.”

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19:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Conservação numa África em mudança

Moderação   -  

Filipa Ramos

Fiesta Warinwa cresceu em Equatória, no Sudão do Sul, região cuja abundante vida selvagem foi devastada durante a guerra civil, o que a levou a perceber a urgência da preservação ambiental e a estudar gestão e conservação da vida selvagem. Com um percurso verdadeiramente singular, começou a sua carreira como estagiária da African Wildlife Foundation e hoje é Diretora para as Políticas de Envolvimento nessa instituição. No Fórum do Futuro falará sobre a urgência da conservação numa África em mudança, onde as maiores ameaças à sua vida selvagem, resultantes das aspirações económicas e das necessidades de uma população em rápido crescimento, são hoje a agricultura não planeada, o desenvolvimento de infraestruturas e a extração de recursos naturais. A situação é agravada pelo tráfico de animais selvagens e pelas alterações climáticas. Como assegurar o êxito da conservação? Será este contraditório com o desenvolvimento económico do continente?

A solução dependerá de mudanças reais no terreno, na governação e na opinião pública, sendo necessário um novo entendimento da prosperidade no continente, que inclua a vida selvagem e os seus territórios. Em conversa com Filipa Ramos, editora-chefe da art-agenda (e-flux), curadora da secção de Filme da Art Basel e curadora desta edição do Fórum do Futuro, Warinwa apresentará abordagens inovadoras envolvendo investidores, responsáveis políticos e agências de desenvolvimento na criação de mecanismos que assegurem a proteção da biodiversidade em África.

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21:00
Rivoli – Grande Auditório
Escravatura, justiça, reparações: a história por fechar

Moderação   -  

John Akomfrah

“O passado nunca está morto. Não é sequer passado.” William Faulkner sabia-o. E Danny Glover também o sabe. Com uma carreira de mais de trinta anos em cinema e televisão, Glover notabilizou-se como um dos atores mais consagrados da sua geração em filmes como A Cor Púrpura ou Arma Mortífera. No entanto, é talvez fora do grande ecrã que interpreta o seu mais importante papel – o de ativista por direitos humanos. Glover discursou recentemente no Congresso norte-americano sobre o “imperativo moral, democrático e económico” de instituir compensações após séculos de escravatura, defendendo que é imprescindível a luta pela justiça nesta arena histórica.

Atualmente embaixador da UNICEF, Glover é imensamente respeitado pelas suas ações filantrópicas e pelo seu ativismo junto de várias comunidades, com o foco em questões como reparações, erradicação da pobreza, prevenção de doenças e desenvolvimento económico em África, na América Latina e nas Caraíbas. Em diálogo com John Akomfrah, artista, escritor, realizador e um dos curadores do Fórum do Futuro, Danny Glover falará sobre justiça social, diversidade, ativismo e cidadania global, partindo da sua experiência pessoal para contextualizar de modo estimulante estas questões contemporâneas e oferecendo às gerações mais jovens conhecimentos práticos sobre meios de promover a paz, a unidade e a democracia, ultrapassando barreiras raciais, étnicas e de género.

Tradução Simultânea

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Quarta-Feira
06
Novembro
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
A mão da febre

Moderação   -  

Rita Castro Neves

A Mão da Febre é uma palestra-performance inspirada pelo regresso à América do Sul da febre-amarela. Esta antiga doença está profundamente ligada às plantações de açúcar, que criaram um ambiente ideal para o aedes aegypti, o mosquito vetor trazido do continente africano para as Américas nos navios negreiros europeus. Será um acaso que este retorno coincida com a subida de Bolsonaro ao poder?

A artista brasileira Vivian Caccuri, conhecida pelo cruzamento de música e artes visuais na sua prática artística que aborda questões relacionadas com condicionamentos históricos e sociais, parte de estudos científicos de epidemiologia e ecologia para desenhar e debater ligações entre a cana-de-açúcar, a febre-amarela, o catolicismo, as interações coloniais na música e suas consequências nos novos corpos sul-americanos. Sob a forma de uma “alucinação histórica”, em A Mão da Febre Vivian Caccuri faz uso de uma peça musical que ela própria compôs num órgão de tubos, a que se juntam desenhos, imagens históricas, vídeos, sons e a sua própria voz para contar essa história semificcional. Após a palestra-performance, a artista estará em conversa com Rita Castro Neves, artista visual, curadora e docente na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.

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19:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
In the wake: on blackness and being

Moderação   -  

Cristina Roldão

Em quaisquer condições meteorológicas, os navios iam e vinham, de Portugal e de outros países europeus, para África e depois para a América, seguindo uns na esteira dos outros na rota transatlântica dos escravos. Quinhentos anos de um ‘clima’ de travessias de roubo, pilhagem e servidão. Hoje os navios zarpam de Zlitene e Trípoli, sobrelotados com migrantes, naufragando muitas vezes antes de atingirem a costa europeia.

A escritora e professora na Universidade de York Christina Sharpe partirá do seu livro In the Wake: On Blackness and Being para debater as representações artísticas, visuais e quotidianas da vida negra. Sharpe tem desenvolvido um trabalho seminal usando um “arquivo cultural negro” para posicionar o conceito de negritude no centro da teoria contemporânea. Recorrendo a múltiplas aceções da palavra inglesa ‘wake’ – a esteira deixada por um navio, o velar os mortos, o despertar para um estado de consciência –, Sharpe traça um esboço daquilo que sobrevive apesar da violência e da negação persistentes, numa conversa moderada pela socióloga e investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (IUL) Cristina Roldão. Neste ‘clima’ que persegue a vida negra contemporânea na diáspora, a respiração é cortada, literal e metaforicamente – nas palavras de Frantz Fanon, “revoltamo-nos simplesmente porque já não conseguimos respirar”. É urgente olhar para esta nossa história (e presente) com outro olhar, com um olhar provido de cuidado e solidariedade, contra a violência da abstração. Partindo desta perspetiva e criando espaços de produção artística, de resistência, de consciência e de possibilidade de vida na diáspora, Christina Sharpe oferece-nos um caminho possível.


Tradução simultânea

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22:00
Casa da Música – Sala 2
Lafawndah
Concerto
Ancestor Boy

Conhecida pela sua música de dança ritual, com influências como Nina Simone, Grace Jones, Missy Elliott ou Kate Bush, Lafawndah, que tem vindo a chamar a atenção mundial pela forma futurística com que aborda a pop e a eletrónica, apresenta-se pela primeira vez no Porto.

O seu caminho para a atual encarnação como polímata pop tem sido tão imprevisível quanto o seu estilo de composição com influências, abordagens e ideologias que intencionalmente e de forma autoproclamada desafiam categorizações de geografia ou género. O seu percurso conta já com vários destaques e colaborações como a celebrada performance com Tirzah e Kelsey Lu no Southbank Centre de Londres ou o trabalho com a lenda da música ambiental japonesa Midori Takara, apresentado no Barbican.

Na Casa da Música apresentará o seu primeiro álbum, Ancestor Boy (2019), onde revela uma pop que não é imperial ou local, mas emancipatória de movimentos e ideias, e que anuncia uma artista sem limites de alcance, escala e intensidade. A sua passagem pelos meios musicais e artísticos tem sido definida pela liberdade de tom, por um sentido surrealista do espaço e uma manipulação segura da tensão formal e psicológica.

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Quinta-Feira
07
Novembro
17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Entre a crise da imagem e a imagem da crise

Moderação   -  

Chus Martínez

A obra da artista multipremiada Wu Tsang combina frequentemente documentário e ficção para debater questões de género e etnia no retrato de um mundo, por vezes elusivo, centrado na cultura queer e trans. Nesta artist talk performativa, Tsang debaterá a necessidade de explorar histórias ocultas e narrativas marginalizadas, como é o caso do seu mais recente filme, One Emerging from a Point of View, centrado na crise dos migrantes e desenvolvido em colaboração com as protagonistas – uma jovem refugiada transsexual e uma repórter fotográfica. Os media, em especial na Europa, têm dado nos últimos anos uma enorme cobertura a este tema, mas sempre a partir de uma perspetiva ocidental onde o migrante não tem voz nem identidade individual. Pode a arte reverter esta crise da representação?


Wu Tsang utiliza a colaboração e a fusão de práticas artísticas (performance, instalação e artes visuais) como estratégia de acesso àquilo que denomina de in-betweenness, um estado intermédio onde conscientemente deposita gestos, palavras e vozes de outros, potencializando múltiplas perspetivas. Em One Emerging from a Point of View, passado na ilha de Lesbos, recorreu a duas projeções sobrepostas para reimaginar narrativas paralelas e criar uma história sobre a ilha e sobre o fenómeno de migração onde se misturam tempos e espaços. Em conversa com Chus Martínez, curadora, historiadora de arte, escritora e diretora do Art Institute da FHNW Academy of Art and Design, a artista falará de como a sua obra se situa entre a “crise da imagem” e a “imagem da crise”, numa exploração de um “terceiro” espaço de emaranhamento visual criado pela sobreposição e que usa a coreografia para interrogar a câmara.

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19:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
"The Mermaids", ou a arte depois do fim do mundo

Moderação   -  

Guilherme Blanc

Ouve-se dizer que os seres humanos estão perante um momento histórico – se não estamos ainda no fim, estamos muito próximos dele. E não de uma única espécie de fim: para muitos, a humanidade e o planeta parecem próximos de muitas formas de fim. À nossa volta ouvimos falar sobre o fim da União Europeia; o fim dos direitos dos migrantes; o fim da democracia liberal; o fim da justiça de género, sexual ou racial; o fim da humanidade; o fim da Terra. E agora?


A antropóloga e realizadora Elizabeth A. Povinelli, uma das mais importantes pensadoras na área da antropologia contemporânea e estudos de género, falará nesta conversa, moderada por Guilherme Blanc, diretor de Arte Contemporânea e Cinema da empresa municipal Ágora e um dos curadores desta edição do Fórum do Futuro, sobre como os sonhos que o Ocidente inventou para si mesmo parecem ter chegado a um catastrófico epílogo. Mas como seriam as políticas e os afetos se, em vez de uma analítica ocidental da finitude (uma filosofia do fim), desenvolvêssemos uma teoria social com aqueles que têm vivido depois do fim? Povinelli situa uma dessas teorias sociais nos mundos indígenas australianos, recorrendo ao filme The Mermaids, or Aiden in Wonderland do Karrabing Film Collective, um grupo de cinema indígena de que é cofundadora, estabelecido no Território do Norte da Austrália, que utiliza o filme e a instalação como forma de resistência popular e auto-organização.

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21:00
Rivoli – Grande Auditório
Colonização, a nova como a antiga

Moderação   -  

Shumon Basar

A economia de hoje é muito diferente da economia de há 20, 200 ou 500 anos atrás. Mas são os mesmos os métodos de apropriação, para enriquecimento próprio, de recursos e bens que pertencem a outros – os padrões repetem-se e a economia global dos nossos dias baseia-se na reinvenção do projeto colonial. Quais as semelhanças e diferenças entre os antigos e os novos processos de colonização?

A cientista e ativista ambiental Vandana Shiva é uma das principais figuras mundiais no combate pela sustentabilidade e biodiversidade, desafiando há várias décadas empresas multinacionais como a Monsanto e as suas políticas neoliberais na agricultura, que considera serem os principais agentes no processo de recolonização que hoje atravessamos. Considerada pela Time uma “heroína ecológica”, Shiva parte da primeira rutura a nível planetário dos processos culturais, sociais, económicos e políticos, que se iniciou com a “descoberta” da América. O que a bula papal representou para a legitimação da colonização no século XV, representam no século XXI os acordos de comércio livre; e os direitos de propriedade sobre terras roubadas são hoje os direitos de propriedade intelectual sobre conhecimentos ou sementes. Nesta conversa moderada por Shumon Basar, Vandana Shiva falará também sobre o que é “novo” neste projeto colonial: a criação de uma nova religião, baseada na ascensão dos instrumentos – tecnologia e dinheiro – que visa conquistar a nossa biodiversidade, alimentação, saúde, corpos e mentes, através de novos direitos de propriedade, dependências, impérios e ditaduras.


Tradução Simultânea

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Sexta-Feira
08
Novembro
12:00 - 18:00
Serralves – Galerias do Museu
Eszter Salamon
Exposição - Performance
MONUMENT 0.4: Lores & Praxes (rituals of transformation)

A artista e performer Eszter Salamon, galardoada este ano com o prestigiante Evens Art Prize, apresenta a exposição-performance Lores & Praxes (rituals of transformation), da sua série MONUMENT, que reflete sobre as relações entre coreografia e história. Nesta obra, a coreógrafa parte de uma nova premissa, focando-se na desigualdade, em lugar da singularidade, para reduzir divisões e imaginar um possível futuro, questionando: “E se a prática de múltiplas maneiras de nos relacionarmos com o mundo permitisse que nos emancipássemos da incapacidade de sonhar outros mundos? Pode a utopia ser reconfigurada não como um local imaginário mas como um espaço de movimento? E quais são as fronteiras rígidas e flexíveis a serem ultrapassadas? Línguas, muros, fantasias das origens?”

Apresentada durante dois dias consecutivos, Lores & Praxes conta com dez performers (vindos da África do Sul, Costa Rica, Inglaterra, Holanda, Hungria, Lituânia, Peru, Portugal e Singapura) que se entregam a uma transformação performativa de danças de guerra e de danças de resistência originárias de quatro continentes. Através de rituais de dança com origens ancestrais, os performers desenvolvem gestos de resistência por um possível mundo novo, ainda desconhecido, onde há a hipótese de inversão do fluxo de migração do conhecimento tal como tem ocorrido historicamente. “Mas até que ponto são eles também moldados por histórias de domínio e migração? O que podem noções como local ou estrangeiro significar neste contexto?” são algumas das perguntas levantadas pela coreógrafa.

Direção artística: Eszter Salamon
Colaboração artística: Boglárka Börcsök
Desenvolvido com e interpretado por: Liza Baliasnaja, Amanda Barrio Charmelo, Sidney Barnes, Mario Barrantes Espinoza, Boglárka Börcsök, Stefan Govaart, João Martins, Sara Tan, Vânia Vaz, Tiran Willemse
Produção: Elodie Perrin / Studio E.S., Alexandra Wellensiek / Botschaft GbR
Copprodução: Internationales Sommerfestival Kampnagel (Hamburgo) em colaboração com o Museum für Kunst und Gewerbe Hamburg, Tanz im August / HAU Hebbel am Ufer (Berlim) e com o KINDL Zentrum für zeitgenössische Kunst, Kunstenfestivaldesarts (Bruxelas)
Apoio: DRAC - Direction Régionale des affaires culturelles d'Ile-de-France, Ministère de la Culture, França, e Hauptstadtkulturfonds (Berlim)
Agradecimentos: Seloua Luste Boulbina, Asad Raza, Boghossian Foundation - Villa Empain

O desenvolvimento de uma das fases deste projeto foi apoiado pelo PACT Zollverein (Essen), P.A.R.T.S. e NATIONALES PERFORMANCE NETZ (NPN), Fundo de Coprodução para Dança.

As datas de exibição no Porto são apoiadas Gastspielförderung Tanz da NATIONALES PERFORMANCE NETZ, que é financiado pelo Comissário do Governo Federal para a Cultura e os Media.

19:00
Serralves – Biblioteca
O Insustentável peso da utopia

Moderação   -  

Eduarda Neves

Nos últimos dois anos surgiu um conflito entre as autoridades estatais cubanas e uma jovem geração de agentes culturais que se centra na seguinte questão: até que ponto podem operar livremente no domínio público cubano aqueles que trabalham fora das instituições do Estado?


Coco Fusco, artista multidisciplinar e escritora cubano-americana, tem explorado no seu trabalho temas como políticas de género, identidade, etnia e poder, através de produções multimédia e performances com envolvimento ativo com os espectadores, assim como através da sua obra literária multipremiada de crítica ao colonialismo, globalismo e aos estereótipos culturais. Debaterá nesta conversa, moderada pela professora de teoria e crítica de arte contemporânea Eduarda Neves, os recentes confrontos entre a comunidade artística cubana e o governo de Cuba, que recentemente a impediu de entrar no país dias antes da abertura da Bienal de Havana. A permanente repressão exercida sobre as atividades independentes atingiu um auge em 2018 com o anúncio de uma nova legislação que criminaliza toda a expressão cultural criada sem prévia autorização do Estado. Em 2019 foi imposta legislação suplementar para fiscalizar a produção cinematográfica, o uso da internet e o jornalismo, medidas governamentais que desencadearam entre os cidadãos cubanos os protestos mais amplos e públicos desde há décadas – até quando conseguirá o governo continuar a oprimir a criação artística independente com o peso insustentável da sua utopia?

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21:00
Serralves – Auditório
Poder, Beleza e Alienação

Moderação   -  

Philippe Vergne

Com uma carreira de mais de três décadas que se move entre o museu e o cinema, o artista, realizador e diretor de fotografia Arthur Jafa é uma das figuras centrais da cultura contemporânea americana, tendo já colaborado com Spike Lee, Beyoncé ou Jay-Z. O seu trabalho tem vindo a examinar a representação do negro através de imagem, movimento, forma e som e questiona os discursos universais e específicos sobre ser negro. Na sua obra existe uma pergunta recorrente: como podem os meios visuais transmitir fielmente “o poder, a beleza e a alienação” intrínsecos de certas formas de música negra dos Estados Unidos?

Arthur Jafa, premiado este ano com o Leão de Ouro na Bienal de Veneza para melhor artista, falará nesta conversa moderada pelo diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves Philippe Vergne da forma como encontra um correspondente visual à música negra, a que chama “black visual intonation”. A cadência dos fotogramas de fotos e vídeos no ecrã é manipulada para sublinhar as subtilezas da aparência, expressão, emoção e movimento, o que permite ao artista transmitir determinados sentimentos e sensações auditivas. Entre arte contemporânea e cultura pop, Jafa defende que a produção cultural negra é ainda hoje feita constantemente em “queda livre” a partir de um lugar espiritual e emocional carregado de dor, sentimentos de perda e ausência de meios.


Tradução Simultânea


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Sábado
09
Novembro
12:00 - 18:00
Serralves – Galerias do Museu
Eszter Salamon
Exposição - Performance
MONUMENT 0.4: Lores & Praxes (rituals of transformation)

A artista e performer Eszter Salamon, galardoada este ano com o prestigiante Evens Art Prize, apresenta a exposição-performance Lores & Praxes (rituals of transformation), da sua série MONUMENT, que reflete sobre as relações entre coreografia e história. Nesta obra, a coreógrafa parte de uma nova premissa, focando-se na desigualdade, em lugar da singularidade, para reduzir divisões e imaginar um possível futuro, questionando: “E se a prática de múltiplas maneiras de nos relacionarmos com o mundo permitisse que nos emancipássemos da incapacidade de sonhar outros mundos? Pode a utopia ser reconfigurada não como um local imaginário mas como um espaço de movimento? E quais são as fronteiras rígidas e flexíveis a serem ultrapassadas? Línguas, muros, fantasias das origens?”
Apresentada durante dois dias consecutivos, Lores & Praxes conta com dez performers (vindos da África do Sul, Costa Rica, Inglaterra, Holanda, Hungria, Lituânia, Peru, Portugal e Singapura) que se entregam a uma transformação performativa de danças de guerra e de danças de resistência originárias de quatro continentes. Através de rituais de dança com origens ancestrais, os performers desenvolvem gestos de resistência por um possível mundo novo, ainda desconhecido, onde há a hipótese de inversão do fluxo de migração do conhecimento tal como tem ocorrido historicamente. “Mas até que ponto são eles também moldados por histórias de domínio e migração? O que podem noções como local ou estrangeiro significar neste contexto?” são algumas das perguntas levantadas pela coreógrafa.


Direção artística: Eszter Salamon
Colaboração artística: Boglárka Börcsök
Desenvolvido com e interpretado por: Liza Baliasnaja, Amanda Barrio Charmelo, Sidney Barnes, Mario Barrantes Espinoza, Boglárka Börcsök, Stefan Govaart, João Martins, Sara Tan, Vânia Vaz, Tiran Willemse
Produção: Elodie Perrin / Studio E.S., Alexandra Wellensiek / Botschaft GbR
Copprodução: Internationales Sommerfestival Kampnagel (Hamburgo) em colaboração com o Museum für Kunst und Gewerbe Hamburg, Tanz im August / HAU Hebbel am Ufer (Berlim) e com o KINDL Zentrum für zeitgenössische Kunst, Kunstenfestivaldesarts (Bruxelas)
Apoio: DRAC - Direction Régionale des affaires culturelles d'Ile-de-France, Ministère de la Culture, França, e Hauptstadtkulturfonds (Berlim)
Agradecimentos: Seloua Luste Boulbina, Asad Raza, Boghossian Foundation - Villa Empain

O desenvolvimento de uma das fases deste projeto foi apoiado pelo PACT Zollverein (Essen), P.A.R.T.S. e NATIONALES PERFORMANCE NETZ (NPN), Fundo de Coprodução para Dança.

As datas de exibição no Porto são apoiadas Gastspielförderung Tanz da NATIONALES PERFORMANCE NETZ, que é financiado pelo Comissário do Governo Federal para a Cultura e os Media.

16:00
Cinema Trindade
Arthur Jafa

Dreams Are Colder than Death é um documentário/ensaio cinematográfico de Arthur Jafa que potencia uma reflexão sobre o legado do famoso discurso de Martin Luther King “I have a dream” para colocar questões fundamentais e prementes: O que é o conceito de negritude? De onde vem? O que significa para as pessoas que vivem hoje em dia nos Estados Unidos?


Combinando imagens líricas em câmara lenta de pessoas negras, sobretudo em espaços exteriores, e imagens de água e do cosmos, as vozes de alguns dos mais influentes artistas e pensadores contemporâneos de estudos afro-americanos envolvem-se numa reflexão sobre a ontologia da negritude e a sua relação com a vida, a morte e o conceito de humano, no contexto da “vida pós-escravatura”. Finalmente, pela palavra de Fred Moten, o filme coloca a questão da possibilidade de amar pessoas negras, assim como o que poderá significar assumir a negritude por oposição a fantasias de fuga.

17:00
Rivoli – Palco do Grande Auditório
Manifesto pelo direito de acesso às coleções coloniais sequestradas na Europa Ocidental

Moderação   -  

Nélia Dias

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Nuno Faria

A história dos museus europeus está marcada pelo imperialismo e por genealogias científicas e coloniais herdadas do séc. XIX. Como poderemos reinventar o museu e as suas coleções, de forma a caminhar no sentido de caminhar para um modelo ecológico e emancipatório de reparação? O que deve o museu evocar e proporcionar aos cidadãos?

A curadora, editora e historiadora cultural Clémentine Deliss é uma das figuras mais proeminentes no combate ao legado eurocêntrico na história da arte e nos museus de arte que a moldam e ensinam. Partindo do seu manifesto, e numa conversa com a antropóloga e investigadora do ISCTE-IUL Nélia Dias, e com o diretor do Museu da Cidade Nuno Faria, Deliss apresentará um modelo de instituição futura em que um fluxo generativo de indagação de nível universitário é construído no interior de um museu. Sob o imperativo de descolonização, o museu-universidade questiona as ideologias dominantes da conservação, abrindo as coleções, as suas histórias e as suas reclamações a várias operações de reparação. Edificando-se sobre as coleções não monetizadas e muitas vezes contestadas do passado, formula novas alianças transculturais e metodológicas. Transformar um museu numa universidade é o primeiro passo na construção de um museu dos comuns e na reavaliação equitativa de coleções etnocoloniais. Um lugar como esse, sem pontos de vista privilegiados, ou tentativas de direcionar a mente para os limites de disciplina dominante, seria um campo fértil, uma extensão agricultável onde cada visitante poderia cultivar significados modestos a partir de obras não-determinadas, lentamente apreendendo o metabolismo do museu como um corpo.

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19:00
Rivoli – Grande Auditório
Identidades e Formas

Moderação   -  

Graça Correia

Sir David Adjaye, um dos arquitetos mais influentes do nosso tempo, encerra o programa de debates do Fórum do Futuro numa sessão moderada pela arquiteta e professora da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto Graça Correia, onde falará sobre a importância da história e identidade de cada lugar na sua prática de arquitetura, recorrentemente ligada a culturas e à diáspora do continente africano.

Filho de pais ganeses, David Adjaye nasceu na Tânzania numa altura em que vários países africanos saíam do domínio colonial e se edificavam novas identidades no continente. Passou os seus primeiros anos de vida em várias cidades africanas, o que se transformou numa experiência determinante para o seu percurso profissional, encarando a arquitetura como a manifestação física da mudança social, uma forma emancipatória que constrói comunidades. No Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana em Washington, o seu maior projeto até à data, os seis séculos de história estão desde logo representados na forma de coroa do edifício e na sua fachada que homenageiam os trabalhos em ferro dos artesãos afroamericanos, e na sua estrutura interior que constitui uma metáfora formal de superação, emancipação e celebração. Nesta conversa, o arquiteto discutirá os seus processos, motivações e influências, assim como os seus projetos presentes e futuros, que incluem o primeiro Pavilhão do Gana na Bienal de Arte de Veneza deste ano, um novo museu para reunir em África os tesouros pilhados do Benim, e colaborações com vários governos de países africanos.

Tradução Simultânea

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22:00
Rivoli – Café-Concerto
Crystallmess
Performance - DJ SET
In Memory of Logobi, an Installation on Black Collective Amnesia in France

Aimé Césaire escreveu no seu Discurso sobre o colonialismo: “Para nós, a escolha está feita. Estamos entre aqueles que se recusam a esquecer. Estamos entre os que recusam a amnésia como método.”
De forma a tornar visível a narrativa e a atualidade de uma história deliberadamente esquecida – a de um estilo de música que combina o hard-tech belga com o coupé-décalé, um género de dance music originário da Costa do Marfim e da diáspora marfinense em Paris – a produtora, DJ, escritora e artista CRYSTALLMESS apresenta o projeto multidisciplinar In Memory of Logobi. Em França, a assimilação e a amnésia coletiva estão institucionalizadas; e embora o país tenha a maior percentagem de população negra na Europa, a contribuição desta para o clubbing, e para a cultura em geral, é completamente desprezada. Nesta performance, que inclui um DJ-Set e uma composição audiovisual (com vídeos, GIFs, imagens de arquivo e digitalizações 3D), a artista pretende estabelecer um mapeamento multidimensional do Logobi, explorando o cruzamento entre alienação pós-colonial, tecnologia e cultura “faça-você-mesmo” numa abordagem pós-moderna da etnomusicologia. Qual a ligação entre o golpe de estado de 1999 na Costa do Marfim, os motins de 2005 em França e a Techno Parade de 2007 em Paris? É justamente aqui que a memória do Logobi vem revelar a intersecção de eventos e a ausência de coincidências históricas.

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Participação Especial

O Fórum do Futuro apresenta nesta edição um projeto fílmico desenvolvido em colaboração com o aclamado poeta e académico Fred Moten, figura seminal nos estudos afroamericanos e no debate sobre direitos e movimentos de reparação. Professor na New York University, Tisch School of the Arts, as suas obras e teoria crítica têm influenciado toda uma geração de pensadores, artistas e ativistas, incluindo vários dos convidados desta edição. A partir das temáticas abordadas e questões levantadas por Chimamanda Ngozi Adichie, Sônia Guajajara e Ernesto Neto, Danny Glover, Vandana Shiva, Arthur Jafa e David Adjaye, Fred Moten irá selecionar alguns excertos da sua obra, que serão apresentados neste projeto fílmico dividido em pequenos capítulos a exibir no início de cada uma destas sessões.











O Fórum do Futuro apresenta nesta edição um projeto fílmico desenvolvido em colaboração com o aclamado poeta e académico Fred Moten, figura seminal nos estudos afroamericanos e no debate sobre direitos e movimentos de reparação. Professor na New York University, Tisch School of the Arts, as suas obras e teoria crítica têm influenciado toda uma geração de pensadores, artistas e ativistas, incluindo vários dos convidados desta edição. A partir das temáticas abordadas e questões levantadas por Chimamanda Ngozi Adichie, Sônia Guajajara e Ernesto Neto, Danny Glover, Vandana Shiva, Arthur Jafa e David Adjaye, Fred Moten irá selecionar alguns excertos da sua obra, que serão apresentados neste projeto fílmico dividido em pequenos capítulos a exibir no início de cada uma destas sessões.